Até Romper a Manhã

Porque alimentas o fogo
Incendiando o meu mar?
Porque me mostras o jogo,
Sem tua boca beijar?
Porque falas de gemidos,
Que nunca ouvi no teu peito?
Dos desejos reprimidos,
Que tens a sós no teu leito?
Os gemidos de que falas,
Na tua imaginação,
São os beijos que tu calas,
Nos teus lábios sem razão!
Deixa que a nossa poesia,
Nos lençóis amarrotados,
Tenha o cheiro a maresia,
E nos deixe embriagados!
Não fales de confissões,
Nem de olhares atrevidos,
Quando somos dois vulcões,
Pelo fogo consumidos!
Não te dispas com olhares,
Prova o sal que há em mim,
Acredita,... se o provares,
Nunca mais falas assim!
Quero conhecer o gosto,
Dos teus lábios de romã,
Numa tarde de sol-posto,
Até romper a manhã!!!
Fernando dos Santos
13/9/2002