Quinta dos Sonhos   Fernando dos Santos   LISBOA

 

 

 

          QUINTA DOS SONHOS



Na Quinta dos Sonhos,
Já não há medronhos,
Nem amoras bravas.
E nos velhos bardos,
Só há sonhos pardos
E mudas palavras!



Pararam as horas,
E as doces amoras,
Tão negras, silvestres.
São recordações,
De grandes paixões,
Com lírios campestres!



Mas recordo ainda, 
Nesta tarde infinda,
Quando tu e eu.
Unimos as bocas,
Frementes e loucas,
Nos levando ao céu!



Os anos passaram,
Mas não me levaram,
Do sonho as amoras.
Mas nos dias pardos,
Acerados cardos,
Picam a desoras!



Já não volta atrás,
O tempo que faz,
Veloz como o vento.
Só a recordar, 
O posso parar,
No meu pensamento!!!



Fernando dos Santos

15/9/2002

 

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