A PRAIA FICOU VAZIA
Salgada a vida, o sentir,
Insonso o dia, o devir,
Não há marés oscilantes.
Nem o choro as faz encher,
Já não há retroceder,
Nem teus olhos, diamantes!
A praia ficou vazia,
Não há cheiro a maresia,
Nem o gosto do teu sal.
Só há vagas desfazendo,
Um coração que morrendo,
Sente ainda o vendaval!
Não há rio a desaguar,
Para encher este meu mar,
A beijar duros rochedos.
A lua não ilumina,
Esta força que domina,
A minha praia de medos!
Mas há sempre a tempestade,
Com as vagas de saudade,
Me atirando contra a praia,
Ficando ali a sonhar,
Que um dia vou acordar,
Nos teus lençóis de cambraia!
Fernando dos Santos
2/8/2002