MAR REVOLTO
Sou mar e sal, outrora rio correndo,
Onde o teu corpo nu me convidava,
No leito que a água desenhava,
A saciar teu fogo, então ardendo!
Repara no que está acontecendo!
Destruíram o rio que te beijava,
E a água que o teu fogo dominava,
É sal que pelo mar se vai perdendo!
Agora outros corpos saciando,
Me dou e me revolto procurando,
A tua doce boca não salgar.
E no teu corpo nu que me fugiu,
Sentir que sou de novo aquele rio,
Capaz de no teu lago desaguar!
Fernando dos Santos
28/8/2002