Depois a Lua se vai, prenhe de amor e beijos
Ocultando os seus desejos, na insone madrugada
E, quando as aves despertam, tu, saciada, ao meu lado,
Perfumas a minha boca e renovas a loucura que dorme em mim
E percorro com os dedos, sem medos, as veredas do teu corpo
O teu jardim de sedas macias, quentes, frementes
E sinto o perfume embriagante do nosso desvario
mordendo os botões de rosa dos teu seios intumescidos
E as pétalas dormentes se abrem de desejo inerme
Quando beijo a corola que se mostra ávida, deleitada
Enquanto um melro no beiral da janela nos canta ainda:
A Lua voltará! O amor não finda!
Fernando
dos Santos
01-07-02