Uma Caneta Entre os Dedos      Fernando dos Santos   Lisboa

 

 

 

 

              UMA CANETA ENTRE OS DEDOS

 

Vejo a maré a baixar,
E a areia molhada.
As gaivotas a bailar
E um búzio a murmurar,
Segredos à sua amada!



Já não há ninguém na praia,
Findou o verão, é Outono.
Há um luar de cambraia,
Caranguejos de atalaia,
E um poeta sem sono!



Meus passos ficam marcados,
Enquanto a maré descer.
Mas depressa são levados,
Para serem repescados,
Quando o poeta morrer!



Pedi ao mar um favor,
Nesta insone madrugada.
Que dê peixe ao pescador,
E ao mundo muito amor,
Para mim,... não pedi nada!


Já tenho a noite, o luar,
E a sombra dos rochedos.
Meus versos para rimar,
E até a morte chegar,
Uma caneta entre os dedos!!!


Fernando dos Santos

6/8/2002

 

 

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